Inauguração da sede da União Espírita Paraense

"A numerosa família espírita do Pará viu concretizado o seu mais ardente sonho. Admirou, agradecida a Deus, o remate de uma legítima aspiração de há muito acariciada. A instalação da nova sede deste grêmio, situada na primeira Praça de Belém, como seja a da República,importou numa demonstração solene e grandiosa de que o espiritismo é uma força, se impôs ao sentido das massas populares e ao cultivo de representantes de todas as classes liberais. Como um largo oceano de luz, venceu e dominou a mesma extensão de terra, prodigalizando a fertilidade da seiva abundante da sua proteção. Às 7h30 da noite, no dia 20 de maio último, difícil já era o acesso à dependência principal do amplo e elegante prédio da Avenida da Liberdade. O avultadíssimo número de pessoas, calculado, sem exagero em mais de mil e quinhentas pessoas, sem computar aqueles que voltaram da porta de entrada por não lhe ser possível a passagem, evidencia claramente a verdade do que expomos. Precisamente às 8 horas , tomando lugar à mesa a diretoria composta dos companheiros Nogueira de Faria, Sylvio Nascimento e o doutor A. Pinheiro Filho, presidente, secretário e tesoureiro, respectivamente, da União Espírita. O primeiro dos nomeados, declarando abertos os trabalhos, com a prece inicial, convidou o Sr. Frederico Figner, representante da Federação Espírita Brasileira a dirigir a cerimônia. Assumindo a presidência, este conhecido propagandista que estava ladeado pelos nossos confrades Apollinário Moreira e Pedro Bastos, teve palavras de congratulações para com os espíritas paraenses e concitou-os em nome de Jesus ao estudo regular e seguido do Evangelho do Mestre e que estivessem todos fieis aos seus compromissos morais e espirituais. A seguir, deu a palavra a nossa distinta confreira Doutora Orminda Bastos, que produziu um bem elaborado discurso em torno do qual abordou conceitos muito sensatos e judiciosos a respeito do desenvolvimento e pujança do espiritismo. Falaram também os senhores Benedito Cordeiro, Mendes Campos, , professor Félix Pantoja e a inteligente menina Elody Demóstenes, Encerrou o ato, a pedido do confrade Frederico Figner o nosso prezado amigo Apolinário Moreira, o qual num belo surto oratório vibrante de entusiasmo, referiu-se ao movimento de propaganda em geral, destacando o serviço de Bezerra de Menezes , no Rio, quiçá no Brasil, ao trabalho operado no Pará em que rememorou o nome de Abel Prado. Festa impressionante e linda, comemorativa do 17º aniversário da fundação da União Espírita Brasileira, foi certamente essa que se efetivou no dia 20 de maio, trazendo aos assistentes uma duradora e carinhosa recordação."

Texto Extraído do livro HISTÓRIA DO ESPIRITISMO NO PARÁ - 100 anos de União Espírita Paraense, de Jonas da Costa Barbosa, Demóstenes Jesus de Lima Pontes e Verônica Neuma Ferreira Santana. Adaptado por Vera Meira Bestene, DECOM-UEP